As segundas-feiras eram meus piores dias no colégio na época em que eu era um pré-adolescente como todos os outros que frequentavam a escola. Era o dia em que um bando de completos desconhecidos, que acreditavam firmemente serem as únicas crianças do planeta que tinham TV em casa, saíam à caça de alguém para aplicar as pegadinhas “que só elas conheciam” e tinham visto no programa Os Trapalhões [1] durante a noite anterior. Tempo suficiente para seus inábeis cérebros ainda lembrarem como aplicar o golpe de esperteza!
O famoso “olha pro meu pé mexendo”, seguido de uma bofetada na cara era quase que como um “bom dia!”. Esta “piada” era ensinada repetidamente com um certo intervalo que garantia o esquecimento por parte dos espertos ou de suas vítimas.
Sendo assim, eu assistia este programa mais para evitar inconvenientes do que por gostar ou admirar o seu conteúdo.
Os anos passaram (poucos, diga-se de passagem) e os esquetes [2] foram substituídos por piadas. O único problema era que as piadas só eram inéditas por alguns momentos, se alastravam tão rápido quanto um incêndio. Mas estes agora quase adolescentes a repetiam quase que infinitamente. Abordavam um grupo aleatoriamente e disparavam a contar a pérola tão pouco conhecida naquele momento quanto andar para frente ou enxergar com os olhos abertos. Ninguém ria, ninguém sangrava ou devolvia a “gentileza”, apenas se olhavam perplexos, ignoravam e continuavam o caminho.
Nenhum destes ex-futuros comediantes se suicidou por causa disto, pelo menos é o que acredito. A maioria se ajustou e não acredita que o mundo real não é um mero anexo da telinha e tem uma vida normal, apesar de alguns continuarem sendo mimimi [3]. Mas uma minoria bem irritante continua sendo o sr. ou mesmo a sra. Bordão [4]. Sim queridos leitores, aquelas pessoas que nunca nos deixam terminar de falar qualquer coisa que seja, para nos brindar falando algo que só tem graça nos programas humorísticos da TV.
Trabalhei inclusive com um sujeito que chegava a ser compulsivo [5] e citava além de tudo o que todo mundo conhecia, por estar passando na TV, filmes dos anos 80 e 90 que fizeram grande sucesso e aquelas propagandas que não saiam da cabeça das pessoas.
Outro que quase me fez sair do sério foi um conhecido que estava me relatando problemas e eu para tentar confortá-lo disse que tudo na vida é passageiro... Eis o meu erro! Como ele é dos tais que perdem o amigo mas não perde a piada, me respondeu: “menos o motorista e o cobrador...”. Tudo bem! Ele perdeu o amigo!
Esta postagem faz parte da série amizades estranhas que eu tentei começar, não acabei e a terminei por abandonar. Outras postagens foram Minha contribuição atrasada para o dia do amigo [6] e Não dê carona no carro alheio [7]. Gente estranha é o que não falta no mundo e amizade é algo tão indefinido que os mimimi tentam explicar transformando quase que num casamento feliz.
Humor, TV, cinema, bons comerciais e música, incluindo a brega, são o chamamos de mundo, cultura ou universo POP [8] que descreve geralmente muito bem a época em que vivemos e é bem saudável conhecê-lo. O problema começa quando substituímos a nossa vida pessoal por este mundo bem artificial, diga-se de passagem.
[1] https://secure.wikimedia.org/wikipedia/pt/wiki/Os_Trapalh%C3%B5es
[2] https://secure.wikimedia.org/wikipedia/pt/wiki/Esquete
[3] http://paginadoaguinaldo.blogspot.com/2010/08/gente-mimimi.html
[4] https://secure.wikimedia.org/wikipedia/pt/wiki/Bord%C3%A3o
[5] https://secure.wikimedia.org/wikipedia/pt/wiki/Transtorno_obsessivo-compulsivo
[6] http://paginadoaguinaldo.blogspot.com/2009/07/minha-contribuicao-atrasada-para-o-dia.html
[7] http://paginadoaguinaldo.blogspot.com/2009/07/nao-de-carona-no-carro-alheio.html
[8] https://secure.wikimedia.org/wikipedia/pt/wiki/Cultura_pop
Terceira ou quarta reencarnação do meu site mantendo o nome. Um blogue (ou blog) off-toppic. Ideia fixa não é o meu forte.
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quinta-feira, 12 de agosto de 2010
domingo, 26 de julho de 2009
Não dê carona no carro alheio
Parece brincadeira, mas uma ex-amiga (e ex-futura-alguma-coisa-a-mais) ofereceu gentilmente meus serviços de táxi grátis para uma pessoa que ela sabia que eu realmente não ia com a cara.
Este é um comportamento típico das pessoas que acham que "o que é seu é meu e o que é meu é só meu, sua opinião não me interessa!". Não dei a carona e dei uma desculpa esfarrapafada.
Por incrível que pareça esta criação única de Deus me seguiu para ter certeza de que eu estava mentindo! Bom, se tinha carro, por que não deu a carona?
Vou deixar de lado truques e artimanhas para influenciar o sexo oposto, diga-se de passagem que um deles (um dos dois sexos) supera o outro de forma espetacular nesta área! Meu foco aqui ficará em relacionamentos da forma mais simples possível, ou seja, a situação em que duas pessoas convivem, por vontade própria ou não, e todas as possibilidades daí decorridas. O relacionamento que esta palavra desperta quase que instantaneamente nas pessoas é melhor tratado no Blogue P.a.U (Pergunte ao Urso, que consta do meu Blogroll). Aqui é o feijão-com-arroz do não infernizar para não ser infernizado.
Posso mudar de ideia, mas por enquanto o foco é este mesmo!
Deixando de enrolar e indo direto ao ponto, outro tipo de amigo complicado é o que te força a fazer gentilezas que ele não faria e acha normal dispor do seu tempo, dinheiro e de qualquer outro recurso não-infinito que você tenha para mostrar a influência que tem sobre você e que truques piores virão no futuro.
Não posso garantir que estas pessoas aqui descritas sejam psicopatas (não do tipo assassino, mas completamente manipuladoras) mas a desconfiança é grande!
Este é o segundo artigo de uma série, que não sei se continuarei, sobre o perigo de amizades desequilibradas. O primeiro foi a minha contribuição atrasada para o dia do amigo!
Este é um comportamento típico das pessoas que acham que "o que é seu é meu e o que é meu é só meu, sua opinião não me interessa!". Não dei a carona e dei uma desculpa esfarrapafada.
Por incrível que pareça esta criação única de Deus me seguiu para ter certeza de que eu estava mentindo! Bom, se tinha carro, por que não deu a carona?
Vou deixar de lado truques e artimanhas para influenciar o sexo oposto, diga-se de passagem que um deles (um dos dois sexos) supera o outro de forma espetacular nesta área! Meu foco aqui ficará em relacionamentos da forma mais simples possível, ou seja, a situação em que duas pessoas convivem, por vontade própria ou não, e todas as possibilidades daí decorridas. O relacionamento que esta palavra desperta quase que instantaneamente nas pessoas é melhor tratado no Blogue P.a.U (Pergunte ao Urso, que consta do meu Blogroll). Aqui é o feijão-com-arroz do não infernizar para não ser infernizado.
Posso mudar de ideia, mas por enquanto o foco é este mesmo!
Deixando de enrolar e indo direto ao ponto, outro tipo de amigo complicado é o que te força a fazer gentilezas que ele não faria e acha normal dispor do seu tempo, dinheiro e de qualquer outro recurso não-infinito que você tenha para mostrar a influência que tem sobre você e que truques piores virão no futuro.
Não posso garantir que estas pessoas aqui descritas sejam psicopatas (não do tipo assassino, mas completamente manipuladoras) mas a desconfiança é grande!
Este é o segundo artigo de uma série, que não sei se continuarei, sobre o perigo de amizades desequilibradas. O primeiro foi a minha contribuição atrasada para o dia do amigo!
Se esta série fosse escrita pelas pessoas que me inspiraram a escrevê-la, ela se chamaria "Como tornar a vida de alguém miserável e conquistar sua inimizade e desprezo", mas é minha, e ainda não tem nome nem garantia de continuação.
Até a próxima!
terça-feira, 21 de julho de 2009
Minha contribuição atrasada para o dia do amigo
Respeite o gosto alheio, não imponha o seu e aprenda a conviver com as diferenças
Sim caros leitores, o dia do amigo foi ontem! Mas a ideia só surgiu há poucos minutos!
Aos invés de enaltecer e glorificar a amizade, vou falar de um dos grandes defeitos dela, mas, claro, vou dar uma sugestão para se não eliminar este vício, pelo menos amenizá-lo.
Amigos tentem a se interessarem pelo bem estar dos outros amigos e como era de se esperar, tentar melhorar a vida deles. Daí podem surgir grandes complicações. E amigos geralmente se sentem autorizados a modificar o comportamento de seus amigos, e diga-se de passagem que isto nem sempre é bem vindo.
Um bom exemplo é oferecer comidas ou bebidas mesmo sabendo que a "vítima" não gosta. O pretexto:
- "Experimente! Este aqui é diferente, você vai gostar! Prove!"
Uma boa saída:
- "Não, obrigado! Não quero justamente porque já experimentei antes."
No mundo dos negócios, as rádios direcionadas ao público mais pobre, e menos exigente por isto mesmo, repetem infinitamente a mesma música até que ela "pegue" as pessoas e vire sucesso. Bom, isto funciona porque a pessoa acaba não mudando de estação para evitar a chatice por estar ocupada com outras coisas e acaba ouvindo no piloto-automático mesmo e se acostuma.
No meu entender, apesar de parecer uma grande desfeita, recusar algo de que não gostamos é melhor do que sermos obrigados a ir contra nossa própria natureza apenas para agradar a uma pessoa incapaz de aceitar que nem todos são idênticos a ela.
Aceitar que nem todos gostamos de pizza ou azeitona, uísque ou conhaque não é negar a humanidade de ninguém nem abrir um desfiladeiro entre estas pessoas.
Minha sugestão é: "Respeite o gosto alheio, não imponha o seu e aprenda a conviver com as diferenças". Bom, amigos que seguem esta dica não são vistos como ameaças.
Talvez eu desenterre mais algumas dicas destas e faça uma pequena série, o título poderia ser (para provocar): "Como tornar a vida de alguém miserável e conquistar sua inimizade e desprezo".
Até a próxima!
Atualização: O segundo artigo foi para não dê carona no carro alheio, não garanto a continuação desta série mas me divertiria muito com as reações provocadas! Tenho certeza que quase todos já passaram por situações parecidas, se incomodaram mas não pensaram a respeito!
Sim caros leitores, o dia do amigo foi ontem! Mas a ideia só surgiu há poucos minutos!
Aos invés de enaltecer e glorificar a amizade, vou falar de um dos grandes defeitos dela, mas, claro, vou dar uma sugestão para se não eliminar este vício, pelo menos amenizá-lo.
Amigos tentem a se interessarem pelo bem estar dos outros amigos e como era de se esperar, tentar melhorar a vida deles. Daí podem surgir grandes complicações. E amigos geralmente se sentem autorizados a modificar o comportamento de seus amigos, e diga-se de passagem que isto nem sempre é bem vindo.
Um bom exemplo é oferecer comidas ou bebidas mesmo sabendo que a "vítima" não gosta. O pretexto:
- "Experimente! Este aqui é diferente, você vai gostar! Prove!"
Uma boa saída:
- "Não, obrigado! Não quero justamente porque já experimentei antes."
No mundo dos negócios, as rádios direcionadas ao público mais pobre, e menos exigente por isto mesmo, repetem infinitamente a mesma música até que ela "pegue" as pessoas e vire sucesso. Bom, isto funciona porque a pessoa acaba não mudando de estação para evitar a chatice por estar ocupada com outras coisas e acaba ouvindo no piloto-automático mesmo e se acostuma.
No meu entender, apesar de parecer uma grande desfeita, recusar algo de que não gostamos é melhor do que sermos obrigados a ir contra nossa própria natureza apenas para agradar a uma pessoa incapaz de aceitar que nem todos são idênticos a ela.
Aceitar que nem todos gostamos de pizza ou azeitona, uísque ou conhaque não é negar a humanidade de ninguém nem abrir um desfiladeiro entre estas pessoas.
Minha sugestão é: "Respeite o gosto alheio, não imponha o seu e aprenda a conviver com as diferenças". Bom, amigos que seguem esta dica não são vistos como ameaças.
Talvez eu desenterre mais algumas dicas destas e faça uma pequena série, o título poderia ser (para provocar): "Como tornar a vida de alguém miserável e conquistar sua inimizade e desprezo".
Até a próxima!
Atualização: O segundo artigo foi para não dê carona no carro alheio, não garanto a continuação desta série mas me divertiria muito com as reações provocadas! Tenho certeza que quase todos já passaram por situações parecidas, se incomodaram mas não pensaram a respeito!
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